OS OLHOS DE LIA!
Ah, os olhos de Lia!
Eram meigos e sem brilho,
Só enxergavam desprezo e agonia.
Ah, os olhos de Lia!
Procuravam amor,
Procuravam atenção,
Procuravam afeto,
Que ela imaginava,
Que receberia.
Ah, os olhos de Lia!
Só viam Raquel,
Só viam Jacó,
Só viam desprezo e agonia.
Ah, os olhos de Lia!
Expressavam carência,
Expressavam insegurança,
Expressavam inveja e melancolia.
Ah, os olhos de Lia!
Estavam turvos,
Estavam enegrecidos,
Estavam enevoados,
Estavam embaciados,
Estavam vidrados,
No amor,
Que Raquel, recebia.
Ah, os olhos de Lia!
Comparados ao de Raquel,
Sequer sobressaíam.
E esta era a questão,
A tal da comparação.
Lia só via Raquel,
Lia só via Jacó,
Lia se permitia,
Se sentir inferior.
Seus olhos escamados,
impossibilitados,
a impediam de enxergar,
a plenitude,
das suas sete,
gestações.
Ah, os olhos de Lia!
Se eles abrirem,
Se eles descamassem,
Se eles iluminassem,
Veriam cor,
Veriam luz,
Veriam brilho,
Em seu mundo,
INCOLOR
Ah, os olhos de Lia!
Se eles abrirem,
Se eles descamassem,
Se eles iluminassem,
Veriam o
AMOR
De Deus Pai
Veriam o plano perfeito,
Veriam um projeto magnífico,
Veriam além do seu mundinho,
Veriam gerações,
Veriam sacerdotes e reis
Veriam a benção,
Veriam a prosperidade
Veriam
JESUS
E ficariam em paz!
Ah, os olhos de Lia!